Favela é isso aí

Artistas

D.Luzia
D.Luzia

A terapia e a delicadeza do artesanato

Vencendo as batalhas para a visibilidade da produção artística, D.Luzia prepara-se para um campeonato que também é dela, a Copa do Mundo. As vésperas do evento, verde e amarelo são as cores oficias no trabalho da artesã.

“Da linha, da agulha e da delicadeza sai o meu trabalho”, conta a artesã Luzia de Paula de Oliveira (58). São colchas, bolsas, casacos, brincos e colares de crochê, tecidos com pedras e miçangas. “É um trabalho minucioso, tecido ponto a ponto”, conta.

Foi há quarenta anos que tudo começou: curiosa, ela pediu à sogra que a ensinasse o ofício. E aprendeu rápido. Começou a tecer só para presentear a família e para enfeitar a própria casa. Um dia, foi a uma loja famosa e notou que os colares, além de caros, podiam ser tecidos com melhor qualidade. “Pensei em fazer os meus e vendê-los. As pessoas diziam que não era fácil, mas eu tinha muita fé de que ia conseguir”, conta.

Foi durante a Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena, que teve a prova de que podia prosseguir com a arte. “Em uma manhã, vendi muitos colares. Os clientes adoraram”, diz. A partir daí, o que antes era lazer, virou profissão. “Sobreviver de artesanato é muito difícil, algumas pessoas não dão valor, mas ter o meu próprio dinheiro é muito importante”, revela.

D. Luzia não expõe seus artesanatos, já que é difícil encontrar espaço para fazê-lo. “Já tentei conseguir barraca em feiras, mas é difícil. Sem licença, é perigoso, por causa dos fiscais”, conta. Por isso, vende apenas na comunidade. E as encomendas são muitas. Conta que as pessoas gostam dos seus produtos, pela delicadeza que os torna diferentes dos demais. Faltando dois meses da Copa do Mundo, verde e amarelo são as cores predominantes nas peças.

Mesmo se pudesse escolher entre outras profissões, ela ficaria com o artesanato, pois além de trabalho, funciona com uma terapia. “Quando estou com algum problema, faço crochê. E sinto muita calma”, revela. Além de presentear amigos, D. Luiza gostaria de contribuir com a comunidade, ensinando a arte a jovens e adultos. “Mas as pessoas não se interessam”, conta. A artesã salienta a importância de reconhecimento e valorização do artesanato. Ela orgulha-se de ver as pessoas usando suas peças de artesanato e sentindo-se bem com elas.

Luzia de Paula de Oliveira

Telefone de Contato: 9734-9618