Artistas
Arte-Fatus

Massa para ver
Paciência e observação são palavras-chave para o trabalho do Arte-fatus. Utilizando uma técnica antiga, o grupo reproduz peças minuciosas em tamanho reduzido.
Farinha, água e sal. A receita não é comestível, mas garante boa parte do sustento de uma família inteira. È o conhecido Biscuit, massa que toma forma ao gosto do artista e rende trabalhos surpreendentes. É dela que vive Adriano Ferreira da Silva (21), morador do Conjunto Mariquinhas. Em 2002, ele começou a fazer as peças para arrecadar fundos para as obras da igreja, e, rapidamente, despertou o interesse das pessoas da comunidade para o trabalho. Mas o artista não trabalha sozinho. Juntos, ele, a mãe Noemi Ferreira (50) e o amigo Alexandre Lúcio Fraga (35) reproduzem o que for pedido em miniaturas.
Da arrecadação beneficente, o artista conquistou seu próprio público e clientes. Com muita persistência, Adriano aperfeiçoou o que sabia e desenvolveu técnicas próprias. Pesquisava em revistas e praticava tudo o que lia. A sua produção artesanal se diversificou e gerou a necessidade da aquisição de uma serra tico-tico, que foi comprada com alguma dificuldade. Com a nova ferramenta de trabalho, o artesão pôde fazer armários para quartos infantis, pinturas em madeira, e móveis com aplicação de biscuit em alto-relevo.
O trabalho, normalmente, é personalizado. “No dia das mães, por exemplo, nós entregamos uma encomenda de 250 porta-retratos para uma escola. Nós pesquisamos as características de cada criança, a cor da pele, a cor do cabelo para compor as miniaturas para as mães”, relata, orgulhoso, Alexandre.
Adriano é o responsável pelos moldes e peças maiores. Os pequenos detalhes ficam por conta de Alexandre. De acordo com ele, o trabalho exige muita paciência e observação. “Um dos nossos mais recentes trabalhos é uma banda com cinco meninas, cada uma com 15 centímetros. Temos todos os instrumentos, guitarra, baixo, bateria e teclado. Nós temos que saber, por exemplo, qual é o teclado mais popular em show e ter todos os detalhes dele”, conta. “A guitarra tem cinco centímetros e os parafusos das cordas são peças de óculos”, detalha Adriano. O trabalho deve ser vendido por 80 reais.
Atualmente, o Arte-Fatus faz pinturas artísticas em quartos infantis, enfeites, chaveiros, bem-casados (noivos para bolo), abajures. Muitos dos produtos são revendidos na loja evangélica Arca da Aliança. Como forma de repassar o conhecimento, Adriano dá aulas de modelagem.
Para dar conta das encomendas, os dois contam com D. Noemi, que faz uma espécie de produção, cuidando da compra de materiais para o trabalho. “Nossa principal dificuldade é a demanda para absorver todo trabalho. Nosso público também está fora da comunidade. Nosso trabalho evoluiu, nosso preço evoluiu e nós precisamos agora de lugares para expor fora da comunidade”, diz Alexandre. “As pessoas às vezes compram e nem sabem que produziu”, completa. O maior desejo do trio agora é ampliar os negócios. Para isto a equipe está buscando registro da marca Arte-Fatus.
Adriano Ferreira da Silva ou Alexandre Lúcio
Telefone de Contato: 3454-4442 ou 3455-8669