Favela é isso aí

Artistas

Robson Costa
Robson Costa

Nem rainha e nem rei da sucata. Em BH, o vencedor na vida e na arte se chama Robson Costa e o seu pequeno comércio, “Príncipe dos Adornos”.

A “sucata”, o “ferro velho”, a “lata enferrujada”. O que para muitos é lixo, para Robson Costa (32), morador do Morro das Pedras, é matéria-prima. Criatividade impressa, estampada, exuberante em chapas de lata recortadas, pintadas, retorcidas. No pequeno espaço para vendas, na avenida Silva Lobo, a grande borboleta, em chapa de metal pintada, chama a atenção. A formiga, de arame de ferro, atrai crianças e adultos. Já as peças pequenas, menos visíveis a primeira vista, pedem a procura dos olhos e furtam um olhar atento pelo charme e peculiaridade.

As obras, que hoje podemos ver, são resultado da relação estreita e forte que Robson Costa tem com a arte. É da persistência e do dom que tira o sustento para ele, a esposa e os quatro filhos. Há 14 anos, quando trabalhou pela primeira vez em uma serralheria, o artista nem imaginava que um dia pudesse transformar um pedaço de sucata no objeto que o pensamento ordenasse.

Foi através da intervenção de um professor, em um curso de Artes Plásticas do Programa Arena da Cultura, da PBH, que Robson percebeu que criatividade não tem barreiras. “Quando eu descobri que eu podia montar uma alegoria, quando eu vi que eu podia fazer um elefante de dois metros e meio e uma formiga de três, percebi que eu posso fazer qualquer coisa”, conta, lembrando do incentivo dado pelo orientador.

O tempo de dedicação à obra varia conforme o tamanho e o número de detalhes. Um buquê de flores de dois metros, por exemplo, exige do artista duas semanas de trabalho. Mas em compensação, com uma produção prévia, ele é capaz de fazer esculturas ao vivo, em poucas horas.
É bom lembrar que para o homem que vive do belo, nem sempre a vida foi flores. O pai morreu quando ele tinha dois anos e a mãe criou, sozinha, os três filhos, que desde muito cedo se preocuparam em ajudar. Robson lembra que, desde muito pequeno, sempre gostou de “catar” ferro velho, o que muitas vezes até rendeu um acréscimo na renda familiar.

Além de ter passado por diversas empresas do setor serralheiro, Robson já expôs em shoppings e fez esculturas que ficaram famosas na cidade, expostas na Praça da Estação, como o elefante e a formiga. O sonho do artista, hoje, é ter um show room na Avenida Amazonas e uma loja maior para vender suas obras. Seu maior desejo é montar uma escola na comunidade, para ensinar os jovens a arte como ofício. Ele vibra com cada adolescente que, como ele fez, se interessa pela atividade. Enquanto o sonho não se transpõe para o real, Robson já tem seu primeiro aprendiz, o adolescente Luciano Felipe, que diz ter vontade de ser um artista.

Além das vendas na loja, o artista trabalha por encomenda, atendendo muitas vezes a decoradores e paisagistas de renome na cidade.

Príncipe dos Adornos: Av. Silva Lobo, 1438. Contato: 9912-4871

Robson Costa

Telefone de Contato: 9912-4871